A construção do perfil indígena em Meu querido canibal, de Antônio Torres

Autores

Palavras-chave:

Cunhambebe, Perfil histórico-biográfico, Identidade, Alteridade

Resumo

Inserido no processo de revisitação do discurso nacionalista, o livro Meu querido canibal, de Antônio Torres, realiza um deslocamento das imagens que compõem o perfil histórico-biográfico do índio, criando um espaço de leitura em que são desveladas as diferenças no discurso de unidade nacional. Visando à recuperação da memória indígena, a narrativa, guiada por um narrador apaixonado, traz à cena o debate sobre a representação da identidade e, por intermédio da trama histórico-ficcional, relê os discursos históricos e literários, tensionando-os. Por assim dizer, esta leitura busca analisar como a narrativa torreana, por meio da constituição da imagem de Cunhambebe, constrói um perfil históricobiográfico do indígena, ao pôr em jogo a questão da alteridade.

Biografia do Autor

Juliana de Souza Gomes Nogueira, Universidade Estadual Paulista UNESP

Professora de Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa; Produção textual e Orientação Metodológica do Instituto Federal da Bahia. Doutora em Literatura e Cultura pela Universidade Federal da Bahia. Mestre em Literatura e Diversidade Cultural pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2010). Graduada em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2007). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura e suas interfaces, atuando principalmente no seguinte tema: estudos comparados de literatura de língua portuguesa; bem como literatura contemporânea produzida na Bahia.

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Publicado

30-12-2014

Como Citar

Souza Gomes Nogueira, J. (2014). A construção do perfil indígena em Meu querido canibal, de Antônio Torres. Patrimônio E Memória, 10(2), 125–140. Recuperado de https://pem.assis.unesp.br/index.php/pem/article/view/3572

Edição

Seção

Artigos Livres