Memória, identidade e paisagem cultural

interfaces na constituição do patrimônio brasileiro

Autores

Palavras-chave:

Memória, Identidade, Patrimônio Cultural, Paisagem Cultural Brasileira

Resumo

A expansão conceitual do patrimônio cultural e de seus instrumentos de preservação nos desafia a repensar novos objetos do discurso patrimonial. Adotada pela UNESCO (1992) e pelo IPHAN (2009), a categoria de Paisagem Cultural surge como uma nova abordagem de patrimônio cultural, que valoriza a relação natureza-cultura, materialimaterial (em esfera integrada), e que contempla diferentes tipos de bens sob seu conceito. A noção de Paisagem Cultural parece indicar um novo posicionamento no contexto patrimonial, buscando contemplar referências culturais de grupos ainda não envolvidos diretamente com ações preservacionistas, em uma tentativa de incluir sua(s) memória(s) e identidade(s) no discurso patrimonial nacional. Nesse sentido, este artigo visa analisar as interfaces entre memória, identidade e paisagem cultural e, especificamente, como a categoria de Paisagem Cultural, aparentemente, propõe a consideração de novos objetos e, assim, novas memórias ainda desconsideradas no contexto patrimonial brasileiro.

Biografia do Autor

Luciana de Castro Neves Costa, Universidade Estadual Paulista UNESP

Doutora em Memória Social e Patrimônio Cultural pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) (2018), Mestre em Turismo pela Universidade de Caxias do Sul (2011), e Bacharel em Turismo pela Universidade Federal de Pelotas (2007). Membro do Colegiado Setorial de Memória e Patrimônio do Rio Grande do Sul, nas gestões de 2022-2024 e 2024-2026. Pesquisa principalmente os seguintes temas: turismo; patrimônio cultural; paisagem cultural, patrimônio imaterial; patrimonialização de referentes culturais alimentares; olivicultura; olivoturismo. Sommelier em azeites de oliva, pela Universidad de la República de Uruguay (UDELAR) (2023). Atualmente realiza pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural da Universidade Federal de Pelotas (UFPel/RS).

Juliane Conceição Primon Serres, Universidade Estadual Paulista UNESP

Doutora em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2009), Mestra em Museologia pela Universidad de Granada - Espanha (2010), Mestre em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2004) e Bacharelem Licenciatura em História pela Universidade Federal de Santa Maria (2001). Docente permanentena Universidade Federal de Pelotas no Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural e noCurso de Graduação em Museologia.Tem experiência na área de Museologia e História. Pesquisa principalmente no seguintes temas: história da saúde pública, museus e patrimônio, patrimonialização e sofrimento. Atualmente é Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural.

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Publicado

30-06-2016

Como Citar

Castro Neves Costa, L., & Conceição Primon Serres, J. (2016). Memória, identidade e paisagem cultural: interfaces na constituição do patrimônio brasileiro. Patrimônio E Memória, 12(1), 158–178. Recuperado de https://pem.assis.unesp.br/index.php/pem/article/view/3464

Edição

Seção

Artigos Livres