Recordando a barbárie para libertar ou oprimir

usos e abusos mnemônicos do nazismo

Autores

Palavras-chave:

Holocausto, Memória, Israel, Ocupação israelense, Indústria do Holocausto

Resumo

O genocídio perpetrado pelo nazismo ocupa um lugar destacado na história do século XX como paradigma da barbárie. Nessa condição, tornou-se também um expediente discursivo muito utilizado para legitimar ou estigmatizar (“nazificar”) certos agentes e causas. O presente trabalho historiciza e explora representações concorrentes das atrocidades nazistas, analisando como se constitui em capital simbólico mobilizado para justificar ou condenar as ações do Estado israelense que, por sua vez, busca se afirmar como porta-voz de todas as vítimas do holocausto. O artigo apresenta os primeiros usos dessa memória e os principais críticos de sua manipulação discursiva. Na sequência o enfoque recai sobre uma dimensão pouco explorada da questão: as evocações do nazismo para condenar a ocupação e certas ações israelenses, dos anos 1940 até 2014. Ao final, esse uso específico é contraposto à bibliografia especializada sobre modernidade, holocausto e barbárie.

Biografia do Autor

Fabio Bacila Sahd, Universidade Estadual Paulista UNESP

Graduado em História pela Universidade Federal do Paraná (2007). Especialista em história pela Faculdade Bagozzi (2009) . Mestre em História pela Universidade Estadual de Maringá (2012). Doutor pelo programa interdisciplinar "Humanidades, direitos e outras legitimidades", da Universidade de São Paulo (USP). Autor de textos sobre identidade, violência, política e direitos humanos e internacionais no Oriente Médio, destacando-se os livros "Oriente médio desmistificado: fundamentalismo, terrorismo e barbárie" e "Sionismo, modernidade e barbárie: vida e morte na Faixa de Gaza". Professor adjunto da Universidade Federal do Maranhão, Campus Bacabal.

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Publicado

30-06-2015

Como Citar

Bacila Sahd, F. (2015). Recordando a barbárie para libertar ou oprimir: usos e abusos mnemônicos do nazismo. Patrimônio E Memória, 11(1), 238–261. Recuperado de https://pem.assis.unesp.br/index.php/pem/article/view/3514

Edição

Seção

Artigos Livres