Festas e comemorações cívicas na Revolução Francesa (1789-1799)

a perspectiva crítica de Mona Ozouf e outras interpretações

Autores

Palavras-chave:

Festa, Cultos Cívicos, Revolução Francesa

Resumo

A associação entre festa e revolução não é das mais evidentes. Pensar em revolução remete, mormente, às noções de confronto, guerra, transformações drásticas, todas elas, de alguma forma, interligadas ao espectro da violência. No entanto, durante a Revolução Francesa de 1789 celebraram-se vívidas comemorações. Festejar as vitórias conquistadas, assegurar, pedagogicamente, novos valores, romper os laços com o passado e até com a religião que lhe dava sustentação, eram apenas alguns dos ensejos que motivavam a organização de efemérides. Neste artigo, partindo da obra crítica e de questões suscitadas por Mona Ozouf, almeja-se cotejar a emergência da festa revolucionária como objeto de pesquisa dos historiadores, destacando momentos importantes nesse percurso, como a criação da cátedra da Revolução na Sorbonne (1885) e a afirmação da leitura republicana das celebrações; os progressos na erudição e a crítica revisionista; bem como as proposições de autores marxistas nesse debate.

Biografia do Autor

João Paulo Rodrigues, Universidade Estadual Paulista UNESP

Graduado e doutor em História pela Universidade Estadual Paulista - UNESP, com estágio pós-doutoral realizado na mesma instituição. Desde 2014, é professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde coordenou o Programa de Pós-Graduação em História-PPGH (entre 2017 e 2018), exerceu a chefia do Departamento (2022-2024) e atua hoje na vice coordenação do PPGH. É membro da Diretoria da ANPUH-MT (biênios 2019-2020, 2021-2022 e 2023-2024) e da comissão editorial da revista Territórios e Fronteiras. Publicou artigos em revistas especializadas da área, além de livros e capítulos de livros, entre os quais "1932: pela força da tradição" (Annablume). Participa do Grupo de Pesquisa História, Política e Contemporaneidade (UFMT). Orienta trabalhos de iniciação científica, mestrado e doutorado e se dedica a pesquisas, sobretudo, nas áreas de História do Brasil Republicano e História e Memória.

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Publicado

30-06-2015

Como Citar

Rodrigues, J. P. (2015). Festas e comemorações cívicas na Revolução Francesa (1789-1799): a perspectiva crítica de Mona Ozouf e outras interpretações . Patrimônio E Memória, 11(1), 217–237. Recuperado de https://pem.assis.unesp.br/index.php/pem/article/view/3513

Edição

Seção

Artigos Livres