Festas e comemorações cívicas na Revolução Francesa (1789-1799)
a perspectiva crítica de Mona Ozouf e outras interpretações
Palavras-chave:
Festa, Cultos Cívicos, Revolução FrancesaResumo
A associação entre festa e revolução não é das mais evidentes. Pensar em revolução remete, mormente, às noções de confronto, guerra, transformações drásticas, todas elas, de alguma forma, interligadas ao espectro da violência. No entanto, durante a Revolução Francesa de 1789 celebraram-se vívidas comemorações. Festejar as vitórias conquistadas, assegurar, pedagogicamente, novos valores, romper os laços com o passado e até com a religião que lhe dava sustentação, eram apenas alguns dos ensejos que motivavam a organização de efemérides. Neste artigo, partindo da obra crítica e de questões suscitadas por Mona Ozouf, almeja-se cotejar a emergência da festa revolucionária como objeto de pesquisa dos historiadores, destacando momentos importantes nesse percurso, como a criação da cátedra da Revolução na Sorbonne (1885) e a afirmação da leitura republicana das celebrações; os progressos na erudição e a crítica revisionista; bem como as proposições de autores marxistas nesse debate.
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