OS RETORNOS INFELIZES À TERRA NATAL COMO TÓPOS DA LÍRICA MODERNA
DOI:
https://doi.org/10.5016/xccc5317Palavras-chave:
Poesia, Viagem, Gullar, Césaire, RancièreResumo
Este artigo examina o distanciamento que a lírica moderna toma da poesia clássica em sua abordagem do tema arquetípico da volta à terra natal. Enquanto na tradição épica o reencontro dos heróis com o torrão de origem se dá sob o signo da ventura e da bonança, na poesia moderna/contemporânea o retorno dos sujeitos ao lugar de nascimento e formação se afigura como périplo de desventura e desilusão. Os objetos de análise para a demonstração da hipótese são dois monumentos da modernidade literária em línguas portuguesa e francesa, o Poema sujo de Ferreira Gullar (2000) e o Diário de um retorno ao país natal de Aimé Césaire (2012). A outra hipótese que o trabalho levanta é que em sua disjunção estrutural entre as formas livres da arte e as formas hierárquicas da vida os poemas de Gullar e Césaire ultrapassam o modelo do engajamento, e fazem do dissenso – ou da resistência estética – sua política literária. O principal aporte teórico é de Jacques Rancière (2007; 2009a; 2009b; 2014; 2017).
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