A LÍRICA EROSIVA DE ANA CRISTINA CESAR
DOI:
https://doi.org/10.5016/x4y7kj69Palavras-chave:
Ana Cristina Cesar, Poética da fratura, Lirismo contemporâneoResumo
O artigo propõe uma leitura da poesia de Ana Cristina Cesar a partir do conceito de erosão, entendido como processo simultâneo de ruptura e deslocamento, articulado à noção de afeto enquanto força de desejo e transformação. O estudo investiga como o sujeito lírico se constitui na relação com o mundo e com o outro, partindo da concepção de lirismo como expressão da interação entre percepção e linguagem, na qual a imaginação é privilegiada como forma de dissolver as dicotomias que sustentam o pensamento ocidental. Argumenta-se que a escrita de Ana C. se estrutura pela fratura – experiência de instabilidade que atravessa a linguagem e o sujeito –, configurando uma poética erosiva em que o afeto atua como força de desagregação e recomposição. Ao operar o sensível como princípio de criação e abertura ao outro, sua poesia reafirma a vitalidade e a potência reflexiva do lirismo contemporâneo.
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