Mulheres abolicionistas ocupando o espaço urbano e social da cidade do Recife

Autores/as

Palabras clave:

Mulheres, Abolicionismo, Espaço Urbano, Ave Libertas

Resumen

Neste artigo analisamos a abrangência da mobilização antiescravista, que atuou em diversos espaços, angariando um público vasto e essencial para o avanço do abolicionismo. Diante disso, observamos as mulheres abolicionistas fundadoras e associadas da sociedade Ave Libertas, explorando suas atuações nas ruas e teatros da cidade do Recife entre 1884 e 1888. Averiguamos como a associação somou-se a construção de uma Cultura Política que utilizou símbolos conhecidos para fortalecer a identidade do movimento abolicionista. O uso político desses espaços pelas militantes favoreceu a sensibilização do público urbano, da mesma maneira em que a organização de grandes eventos em teatros, circos, ruas e praças ajudou o grupo feminino a ganhar notoriedade. Com isso, o engajamento de mulheres colaborou para a criação da memória abolicionista, além de conquistar novas possibilidades políticas para as moças e senhoras oitocentistas.

Referencias

ABREU, Maurício de Almeida. Sobre a Memória das cidades. Revista Território, ano 3, n. 4, jan/jun, 1998.

ALONSO, Angela. A teatralização da política: a propaganda abolicionista. Tempo social. [online]. v. 24, n. 2, pp. 101-122. ISSN 0103-2070. 2012.

ALONSO, Angela. O Abolicionismo como movimento social. Novos estudos, v. 1, n. 100, pp. 115-137, 2014.

BERSTEIN, Serge. A cultura política. In: RIOUX, J.P.; SIRINELLI, J.F. (Dir.). Para uma História cultural. Lisboa: Editorial Estampa, 1998, p. 349-363.

BRESCIANI, Maria Stella. Cidade e História. In: OLIVEIRA, Lúcia Lippi. (org.), CIDADE: história e desafios. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 2002.

CASTILHO, Celso Thomas. "Ao teatro pelos cativos!": uma história política da abolição no Recife. In: CABRAL, Flávio José Gomes; COSTA, Robson. História da escravidão em Pernambuco. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2012. p. 325-343.

CASTILHO, Celso Thomas. Slave Emancipation and Transformations in Brazilian Political Citizenship. Pittsburgh, PA: University of Pittsburgh Press, 2016.

COSTA, Manuela Areias. O “Maestro da Abolição” no Recôncavo baiano: abolicionismo e memória nas músicas e crônicas de Manoel Tranquilino Bastos (Cachoeira – BA, 1884-1920). 237 f. (Tese de doutoramento) UFRJ - Rio de Janeiro, 2016.

COWLING, C. & CASTILHO, C. Funding Freedom, Popularizing Politics: Abolitionism and Local Emancipation Funds in 1880s Brazil. Luso-Brazilian Review, v. 47, n. 1, p. 89-120, 2010.

DA SILVA, Sandro Vasconcelos. Quando o Recife sonhava em ser Paris: A mudança de hábitos das classes dominantes durante o século XIX. sÆculum - Revista de História [s. l.] n. 25; 2011. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/srh/article/view/14002. Acesso em: 21 mar. 2023.

FERREIRA, Luzilá Gonçalves; ALVES, Ivia; FONTES, Nancy Rita; SALGUES, Luciana; VASCONCELOS, Iris; SOUZA, Silva Vieira de. Suaves Amazonas: mulheres e abolição da escravatura no Nordeste. Recife: Editora da UFPE, 1999.

FIGUEIREDO, Antônio Pedro de. Diário de Pernambuco, 5 out. 1857. In: MELLO, José Antonio Gonsalves de. (org.). O Diário de Pernambuco e a História Social do Nordeste (1840-1889), Recife: Diário de Pernambuco, v. II, p. 834-840, 1975.

GONÇALES, Guilherme Domingues. Mulheres Engravatadas: Moda e comportamento feminino no Brasil, 1851-1911. São Paulo: Intermeios, 2020.

GRILLO, M. Ângela de F. Ave Libertas: o movimento abolicionista feminino de Pernambuco. In: I SEMINÁIO INTERNACIONAL ENFOQUES FEMINISTAS E O SÉCULO XXI: Feminismo e Universidade na América Latina. Anais [...] Salvador, 2005, p. 1-15.

HUNT, Lynn. Política, Cultura e Classe na Revolução Francesa. São Paulo: Cia das letras, 2007.

KITTLESON. Roger A. Women and notions of womanhood in Brazilian Abolitionism. In: SCULLY, Pamela. PATON, Diana. Gender and Slave: Emacipation in the Atlantic World. Durham NC: Duke University Press, 2005.

MACENA, Fabiana F. Outras faces do abolicionismo em Minas Gerais: rebeldia escrava e ativismo de mulheres (1850-1888). 294 f. 2015. Tese em História Social, Universidade de Brasília – Brasília, 2015.

MACHADO, Humberto F. Imprensa e Abolicionismo no Rio de Janeiro. In: ANPUH – XXII SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 2003, João Pessoa. Anais [...] João Pessoa, 2003. p. 1-8.

MATTOS, Hebe. O livro de Ouro. Revista do Arquivo geral da Cidade do Rio de Janeiro, n. 5, 2011.

MENEZES, Bianca Sotero de. As Mulheres e o Movimento Abolicionista no Amazonas provincial. In: VII SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA CULTURAL, HISTÓRIA CULTURAL: ESCRITAS, CIRCULAÇÃO, LEITURAS E RECEPÇÕES, 2014, São Paulo. Anais [...]. São Paulo, 2014, p. 1-9.

MONTEIRO, Charles. Entre história urbana e história das cidades. Oficina do Historiador, Porto Alegre, v. 5, n.1, jan./jun. p. 101-112, 2012.

MOREL, Marco; BARROS, Mariana Monteiro de. Palavra, imagem e poder: o surgimento da imprensa no Brasil do século XIX. Ed. DP & A, Rio de Janeiro, 2003.

NUNES, Etiane Carvalho. “Não, a mulher brasileira não é escravocrata”: a participação das mulheres no movimento abolicionista em Pelotas (1881-1884). 67 f. 2020, Monografia (curso de Bacharel em História). Instituto de Ciências Humanas, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2020.

PIMENTA, João Paulo Garrido. Portugueses, americanos, brasileiros: identidades políticas na crise do Antigo Regime luso americano. Almanack braziliense, São Paulo, n. 6, maio, 2006, p. 69-80.

PRADO, Maria Lígia Coelho. América latina no século XIX: tramas, telas e textos. São Paulo: Edusp; Bauru: Edusc, 1999.

ROCHA, Karolina Fernandes. Mensageiras da liberdade, porta-vozes da fé: mulheres capixabas no movimento abolicionista do Espírito Santo. In: 7º ENCONTRO ESCRAVIDÃO E LIBERDADE NO BRASIL MERIDIONAL, 2015, Curitiba. Anais [...], Curitiba: UFPR, p. 144, 2015.

SANT'ANNA, Thiago. “Noites abolicionistas”: As mulheres encenam o teatro e abusam do piano na cidade de goiás (1870-1888). OPSIS: Revista do Departamento de História e Ciências Sociais. v. 6, Goiás, 2006, p. 68-78.

SANTOS, Lídia Rafaela Nascimento dos. Luminárias, músicas e “sentimentos patrióticos”: Festas e política no Recife (1817-1848). 277 f. 2018. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2018.

SANTOS, Maria Emília Vasconcelos dos. Os significados do 13 de maio: a abolição e o imediato pós-abolição para os trabalhadores dos engenhos da Zona da Mata Sul de Pernambuco (1884-1893). 207 f. 2014. (Tese de doutorado em História) Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2014.

SILVA, Eduardo. As camélias do Leblon e a abolição da escravatura: uma investigação de história cultural. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

SILVA, Erminia. Circo-teatro: Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil. São Paulo: Altana, 2007.

SILVA, Maciel. Ruas, vendeiras e imagens do Recife no séc. XIX. In: ANPUH - XXII SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, João Pessoa, 2003. Anais [...] João Pessoa, 2003. p. 1-8.

SILVA, Wladimir Barbosa da. Escravidão, Imprensa e Sociedade: o protagonismo feminino na campanha abolicionista. 130 f. 2014 (Dissertação de Mestrado) Programa de Pós-graduação em Relações Étnico-Raciais, Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca - CEFET/RJ, 2014.

Publicado

2023-12-19

Cómo citar

Mulheres abolicionistas ocupando o espaço urbano e social da cidade do Recife. Faces da História, v. 10, n. 2, p. 192–218, 19 dic.2023.